Testes rápidos ao sangue para deteção de anticorpos não servem para saber se têm Covid-19

São vários os locais que disponibilizam testes rápidos de deteção de anticorpos à Covid-19 através do sangue, sejam laboratórios ou mesmo farmácias, sempre com um custo associado. Isto parece promissor mas na verdade deve ser visto com muito cuidado. Passo a explicar.

A DGS emitiu uma circular informativa (N.o 003/CD/100.20.200) que esclarece o seguinte.

Existem 2 tipos de testes:

  • Teste para deteção do vírus, ou seja, deteta os antigénios do vírus Covid-19 através de uma amostra, habitualmente via zaragatoa na nasofaringe e orofaringe – Permite aferir se a pessoa está ou não infetada
  • Teste para deteção de anticorpos do vírus, ou seja, deteta a presença de anticorpos contra o vírus, habitualmente através de uma amostra de sangue – Permite aferir se a pessoa já teve ou não contacto com o vírus 

A circular informativa é bem clara quando diz “À data, o diagnóstico de novos casos de infeção por SARS-CoV-2 deve ser realizado exclusivamente por testes de deteção de componentes do vírus, sendo os testes de biologia molecular (RT-PCR) para a deteção de RNA viral considerados de referência…”, ou seja, apenas o teste de deteção do vírus permite aferir se a pessoa está ou não infetada.

Quanto ao teste dos anticorpos, realçam o seguinte: “Até à data, a evidência disponível não permite inferir sobre a natureza e duração dos anticorpos produzidos como resposta à infeção por SARS-CoV-2, em indivíduos sintomáticos ou assintomáticos…”, devendo estes testes ser “utilizados em estudos epidemiológicos populacionais (de seroprevalência) e de investigação”. Neste caso entende-se que estes testes não devem ser realizados desmesuradamente a todos o que o solicitam.  

Outro ponto importante: “testes laboratoriais para SARS-CoV-2 devem ser correlacionados com a história clínica do doente e o seu contexto epidemiológico”, ou seja, estes testes, assim como qualquer outro, devem ser realizados quando solicitados por profissionais de saúde uma vez que “não podem constituir um critério único na avaliação do estado do doente, pelo que têm de ser interpretados em conjunto com outros dados clínicos e/ou laboratoriais.”

Em suma, o teste que permite saber se está ou não infetado com Covid-19 (embora possam surgir falsos negativos) é o teste RT-PCR (habitualmente o teste da zaragatoa no nariz e/ou boca). Os testes disponíveis para deteção de anticorpos apenas devem ser utilizados em estudos de seroprevalência e nunca sob vontade única da própria pessoa, havendo risco de causar ansiedade pela dúvida que deixou ou então uma falsa tranquilidade quando o resultado assim o diz.

Conselho: informe-se junto de profissionais de saúde quanto à necessidade ou não de realizar qualquer um dos testes. 

Consulta aqui a circular informativa