“Picar o dedo” para saber se tem diabetes não serve!

Quem não foi vendo várias campanhas que propunham medição da glicemia capilar (“açúcar do sangue”) que, com uma simples picada no dedo, indiciavam a presença ou não de diabetes.

Este conceito não está correto. Não existe como rastrear diabetes sem sem por análises clínicas e sob a orientação de um médico. Isto porque os valores obtidos pela “picada no dedo” podem não corresponder à realidade que se pretende. Estas medições servem essencialmente para doentes diabéticos sob insulina que, por risco de hipoglicemias (açúcar baixo) ou para eventuais ajustes das unidades da insulina, necessitam de uma intervenção urgente ou de uma ajuste de dose. Também são utilizadas nos serviços de saúde para avaliação clínica dos doentes que se justifiquem.

Assim, não se recomenda que o rasteio de diabetes seja realizado através destas campanhas. Adicionalmente, a medição da glicemia capilar (“picada”) serve essencialmente para quem está medicado com insulina, sendo a sua utilidade nos outros casos muito limitada fora dos serviços de saúde.

Alérgico à penicilina? O melhor é confirmar!

Achar erradamente que é alérgico à penicilina pode sair-lhe muito caro. Saiba porquê e o que fazer.

É muito frequente ouvir-se que se é alérgico à penicilina, no entanto são poucos os casos com esta alergia confirmada, estimando-se que haja muitos falsos alérgicos. A penicilina e os seus derivados, como por exemplo a amoxicilina, são os antibióticos de primeira escolha na maioria das infeções bacterianas. 

O médico, quando tenciona prescrever um antibiótico, tem em conta as alergias que o doente alega ter. Se a penicilina for um deles, será prescrito um antibiótico alternativo, o que pode dificultar o tratamento, sujeita a efeitos secundários desses medicamentos, aumenta a resistência aos antibióticos, motiva a internamentos desnecessários e aumenta os custos do doente e do Serviço Nacional de Saúde. 
Adicionalmente, nesta fase de vacinação contra a COVID-19 também se tem levantado esta questão.

Confira as principais questões e respostas relativas a este assunto.

Quantas pessoas são alérgicas? 

Estima-se que apenas 5% sejam comprovadamente alérgicos.

Quem é alérgico à penicilina, pode deixar de o ser?

Com o passar do tempo, pode ocorrer uma perda de sensibilização e consequentemente ver a alergia resolvida.

Como confirmar se é alérgico à penicilina?

Recorra a uma consulta de imunoalergologia. Pode solicitar ao seu médico de família uma referenciação a esta consulta do hospital da sua área de residência.

Porque é tão importante confirmar a alergia à penicilina?

Porque a penicilina e os seus derivados, como a amoxicilina, são os primeiros a serem escolhidos na maioria das infeções, sejam elas respiratórias, cutâneas ou dentárias.

Se não tiver a certeza que é alérgico à penicilina, o melhor é confirmar, uma vez que poderá beneficiar deste medicamento ou dos seus derivados. Recorra a uma consulta médica de imunoalergologia ou solicite uma referenciação pelo seu médico de família.

Testar aos anticorporpos COVID19? Não tem grande valor!

Eis as perguntas/afirmações mais frequentes colocadas pelos utentes

“Já tive COVID-19, ainda não fui vacinado, fiz o teste dos anticorpos e não tenho nenhuns. Estou preocupado por não ter defesas.”

Comentário: Os testes aos anticorpos não são todos iguais, portanto há uns que são melhores que outros. Para além disso, não ter detetado anticorpos não significa que não tenha defesas. Isto porque por um lado os anticorpos podem estar presentes e não terem sido detetados na amostra, para além disso e não menos importante, a defesa contra a COVID-19 não se resume aos anticorpos. Também temos a chamada “reposta celular”, através das células T que tem um papel muito importante na defesa contra a doença. Este tipo de defesa não é medida pelos anticorpos.

“Já tive COVID-19, ainda não fui vacinado e nem quero até porque já que fiz o teste aos anticorpos e tenho que “chegue””

Comentário: Ter anticorpos não significa que tenha estado em contacto com o vírus SARS-CoV-2. São os chamados falsos positivos. Isto porque os anticorpos detetados podem ter origem noutros coronavirus que não SARS-CoV-2. Em suma, ter detetado anticorpos não deve servir de motivo para não ser vacinado.

“Nunca tive COVID-19, mas decidir fazer o teste aos anticorpos para ter a certeza. O resultado foi positivo. Já terei tido COVID?”

R: a resposta está no comentário anterior. Para além disso, o teste aos anticorpos não ser de diagnóstico. O único teste que serve para diagnosticar COVID-19 é o teste com zaragatoa para deteção direta do vírus (na fase sintomática).

CONCLUSÃO

Não recomendo o teste aos anticorpos, isto porque os positivos não significam que tenham tido a doença e os negativos que não tenham tido a doença. O que diagnostica a COVID-19 é o teste através da zaragatoa (deteção direta do vírus SARS-CoV-2). Também não se recomenda que o teste aos anticorpos sirva de decisão para ser ou não vacinado.

https://www.dgs.pt/normas-orientacoes-e-informacoes/normas-e-circulares-normativas/norma-n-0022021-de-30012021-pdf.aspx

https://www.dgs.pt/normas-orientacoes-e-informacoes/normas-e-circulares-normativas/norma-n-0042020-de-23032020-atualizada-a-141020201.aspx

https://www.bmj.com/content/371/bmj.m4257

https://www.fda.gov/medical-devices/coronavirus-covid-19-and-medical-devices/antibody-serology-testing-covid-19-information-patients-and-consumers

Antecipação vacina AstraZeneca (Vaxzevria)

A DGS (Direção Geral de Saúde) passou a recomendar um intervalo de 8 semanas em vez de 12 entre as 2 doses da vacina.
Como tal, diz a TaskForce que: “os utentes que foram vacinados com a 1.ª dose da vacina da AstraZeneca devem tomar a 2.ª dose da seguinte forma:    

  • Os utentes que tomaram a 1.ª dose da vacina da AstraZeneca até 25 de abril devem tomar a 2.ª dose na semana de 28 de junho a 4 de julho.
  • Os utentes que tomaram a 1.ª dose da vacina da AstraZeneca de 26 de abril a 16 de maio devem tomar a 2.ª dose na semana de 5 a 11 de julho.  
  • Os utentes que tomaram a 1.ª dose da vacina da AstraZeneca de 17 a 23 de maio devem tomar a 2.ª dose a partir de 12 de julho

Deve consultar aqui o horário em que se pode deslocar de acordo com o Centro de Vacinação onde tomou a 1a dose.

Toma protetor de estômago diariamente? Saiba que podem ser prejudiciais!

É extremamente frequente encontrarmos pessoas que tomam diariamente os chamados “protetores de estômago”. A maioria das vezes tratam-se de inibidores da bomba de protões (ex: omeprazol, pantoprazol, etc) que nem sempre são benéficos.

Estes protetores de estômago começam a ser tomados por situações pontuais de “dores de estômago” a que chamam de “gastrites”, prescritos em consultas abertas ou serviços de urgência ou até mesmo comprados na farmácia sem receita médica. Por sua vez, o utente habitua-se à toma diária e assim que o suspende voltam as queixas. Importa que se saiba que só em determinadas circunstâncias é que devem ser tomados (ex: história de úlcera do estômago, esofagite grave, toma crónica de anti-inflamatórios, entre outros), dado também poderem ser prejudiciais.

Estes medicamentos podem aumentar o risco de fratura, falta de vitamina B12, infeções, alterações do trânsito intestinal (ex: diarreia), etc.

Caso seja um dos que toma diariamente estes fármacos, informe-se com o seu médico sobre se beneficia ou não de os tomar e, caso não haja motivo para tal, será aconselhado a suspendê-lo da forma correta.

Atenção ao (ab)uso dos anti-inflamatórios!

Os anti-inflamatórios (ex: ibuprofeno, diclofenac, naproxeno, etc) são frequentemente utilizados para controlar a dor, seja ela recente (aguda) ou de longa data (crónica). O uso prolongado destes medicamentos deve ser evitado, exceto algumas situações selecionadas pelo médico. São vários os efeitos secundários, alguns deles graves. Tomar estes medicamentos dia sim dia não é um começo para passar a toma-los diariamente. Se tal estiver a acontecer consigo, fale com o seu médico uma vez que poderá necessitar de um controlo da dor com outros medicamentos mais adequados.

Quando devem ser tomados?

Para a dor, preferir em primeiro lugar o paracetamol. Se não resultar e se não estiver contraindicado, poderá tomar um anti-inflamatório (ex: ibuprofeno ou naproxeno) em dose baixa e num curto espaço de tempo (2 a 4 semanas).

Se não melhorar, aconselhe-se junto do seu médico quanto ao melhor medicamento a tomar.

É sempre necessário associar um “protetor do estômago”?

Não. Aconselha-se o uso de protetores gástricos (ex: omeprazol) aos doentes com 65 ou mais anos, pessoas com história de úlcera do estômago ou duodeno ou história de queixas na toma de anti-inflamatórios e a quem toma aspirina (ácido acetilsalicílico), anticoagulantes (ex: varfarina, sintrom, etc) ou corticoides.

Principais efeitos secundários.

  • Dores no estômago e sintomas de refluxo (azia, ardor no peito, etc);
  • Úlceras no estômago e duodeno;
  • Hemorragia intestinal;
  • Problemas nos rins e fígado;
  • Aumento da pressão arterial.

Atenção a quem toma aspirina ou semelhantes (ácido acetilsalicílico)!

A aspirina também é um anti-inflamatório não esteroide, pelo que ao tomar um segundo estará a aumentar e potenciar os seus efeitos secundários! Aconselhe-se junto do seu médico sobre as medidas a tomar.

Insuficiência cardíaca: “Os corações dos mais novos também falham”

Artigo da autoria do autor deste blogue, publicado no Diário de Notícias, que sensibiliza para a existência de Insuficiência Cardíaca

“HISTÓRIAS DE QUEM TRATA E DE QUEM SOFRE DE IC

Aos 65 anos, Almerinda Gonçalves descobriu a insuficiência cardíaca; demorou a aceitar o diagnóstico e o tratamento, mas o m dico de família diz ser uma reação recorrente na sua idade, quando os doentes ainda não esperam estas patologias.”

Artigo na íntegra aqui.

Como evitar infeções urinárias

Alguns passos que ajudam a evitar infeções urinárias:

  • Limpar da frente para trás
  • Roupa interior de algodão e evitar vestuário justo
  • 1 copo de água extra à refeição
  • Esvaziar bexiga depois do ato sexual. Evitar espermicida
  • Esvaziar a bexiga antes do exercício físico
  • Esvaziar bexiga a cada 4 horas
  • Creme vaginal com estrogénio em mulheres na menopausa

Se teve 3 ou mais infeções urinárias num ano fale com o seu médico, pode beneficiar de tratamento prolongado para evitar novas infeções (chama-se a isto tratamento profilático). Não use antibióticos sem consultar um médico. 

Com as temperaturas a subir é frequente aumentarem as infeções urinárias.

Como escolher o protetor solar

“Qual o protetor solar que devo escolher?”

Escolher o protetor solar tem algumas regras, deve ser usado durante todo o ano e pode ser adquirido a preços acessíveis. Basta saber escolher e saber usar.

Como escolho o protetor solar? 

O protetor solar deve proteger contra raios ultravioleta (UV) tipo A e tipo B, deve ter um fator no mínimo de 30 e ser resistente à água.

Creme, gel ou spray?

Prefira creme ou gel. O spray não é o mais aconselhado na medida em que é mais difícil controlar a quantidade aplicada embora seja mais fácil de aplicar nas crianças. O creme é melhor para peles secas e o gel para zonas mais peludas e couro cabeludo.

Posso usar o protetor do ano passado? 

O protetor solar depois de aberto deve seguir as instruções da embalagem que geralmente tem validade de 9 a 12 meses. Se por ventura o seu protetor solar não tiver data de validade após abertura, considere 3 anos como prazo de utilização após aberto (escreva no frasco a data em que abriu). Ter um frasco aberto há mais de 1 ano significa que possivelmente não o usou na quantidade correta para além de que muitas das vezes o protetor é exposto a altas temperaturas que raduz a sua eficácia.

Fator 10, 20, 30 ou 50? Qual a diferença?

No mínimo o fator 30. Fator 30 protege contra 97% dos raios UV. Os fatores acima protegem pouco mais que 97% sendo que não existem protetores que protejam a 100%. Usar fator 50 não significa que possa estar exposto ao sol mais tempo sem aplicar protetor, deve aplicar com as mesmas regras (ver questão seguinte).

Quantas vezes e quanto devo aplicar?

Aplicar 15 a 30 min antes da exposição solar e a cada 2 horas ou após exposição à água. A quantidade a aplicar em todo o corpo corresponde aproximadamente à da palma da sua mão.

Zonas do corpo que geralmente ficam esquecidas.

Pescoço, orelhas, pés e lábios são zonas do corpo muitas vezes esquecidas e por vezes as mais sensíveis. 

Quanto mais caro o protetor melhor?  

Mais importante que o preço é cumprir os requisitos (mínimo de fator 30, resistente à agua proteção contra raios UV tipo A e tipo B). Não se aconselham os protetores antirrugas, de cor ou perfumados visto que poderão perder o efeito protetor.

Qual o melhor protetor para o bebé?

É totalmente desaconselhada a exposição solar às crianças com menos de 6 meses. As crianças devem obedecer às mesmas regras que os adultos embora pela sua maior sensibilidade devem ser-se mais rigoroso usando roupas adequadas, óculos de sol,  chapéus de abas largas e preferir protetor solar mineral com óxido de zinco ou dióxido de titânio.

Altas temperaturas atraem à exposição solar que com ela deve sempre acompanhar a devida proteção. O protetor solar é uma das principais medidas para além do uso de roupa, chapéu e óculos de sol. Evite as horas críticas (das 12 às 16 horas). Prefira o creme ou gel, escolha o protetor solar com fator no mínimo 30, contra raios UV tipo A e tipo B e resistente à agua. Aplique 15 a 30 minutos antes da exposição solar e a cada 2 horas ou após exposição à água.