3ª dose Vacina COVID-19

A Direção Geral de Saúde atualizou a norma 2/2021 no dia 8/10/2021.  

Eis a resposta a algumas das questões mais frequentes: 

Quem terá direito à 3ª dose da vacina (chamada dose de reforço)? 

Para já, apenas os seguintes terão acesso à 3ª dose, seguindo a ordem de prioridade:

  1. Residentes e utentes em ERPI (estrutura residencial para idosos) e instituições similares e Cuidados Continuados (RNCCI) 
  2. Pessoas com 80 ou mais anos 
  3. Pessoas com 65 ou mais anos 

Faz parte dos que vão ter acesso à 3ª dose.  

Quando pode ser vacinado e como?  

Os utentes residentes em lares e instituições similares e cuidados continuados serão vacinados por equipas designadas que se irão deslocar ao local, prevendo-se o início a 11 de outubro 2021. Os restantes terão de aguardar até serem convocados. Estes utentes só serão vacinados quando completarem 6 meses desde que do esquema de vacinação, o que se traduz na maioria, já que estes utentes foram os primeiros a serem vacinados. Os utentes com história de COVID-19 serão para já excluídos desta dose de reforço.

Que vacina será administrada? 

A única vacina para já autorizada à dose de reforço é a vacina da Pfizer (Comirnaty).

Para saber mais, podem consultar a norma da DGS aqui

Como ler a pressão arterial

Quem nunca disse ou ouviu descrever a pressão arterial (“tensões”) como por exemplo 11/7. A questão é: como fazer essa leitura do aparelho das “tensões”? Os aparelhos descrevem a pressão arterial em mmHg. Se aparecer 110 de máxima e 70 de mínima, arredonda-se para 11 de máxima e 7 de mínima. Outro exemplo é quando aparece 128 de máxima e 88 de mínima. Se arredondarmos devemos dizer 13/9. Há utentes que, por aparecer 117 de máxima dizem que a pressão arterial é de 11/7. Isto está errado. O correto é o que descrevo anteriormente.

No entanto, o mais correto é descrever a pressão arterial conforme aparece no visor – se aparece 120/70 devem dizer ao médico 120/70 e não 12/7.

“Dr, não é melhor fazer um sorinho?”

Esta é mais uma das solicitações frequentes pelos utentes numa ida à urgência. O comum “soro” não é nada mais nada menos que líquido com uma quantidade de iões compatível com o nosso sangue. Ora vejamos, se o soro não passa de líquido, só há benefício na sua administração em casos de desidratação, ou seja, falta de líquidos e numa situação em que a reposição deles não é possível de ser feito por via oral ou quando é urgente a sua reposição num serviço de urgência ou equivalente. Para além disso, para que uma desidratação ocorra, deve haver por parte do doente uma perda importante de líquidos, como é o caso de grande sangramento ou perda deles através da pele (por exemplo numa queimadura grave) ou do trato intestinal (vómitos ou diarreia abundantes). A presença de desidratação é avaliada pelo médico através da observação do doente.

Por outro lado, esta perceção de necessidade de soro pelo doente deve-se ao facto de já ter tido necessidade de um medicamento que, num serviço de urgência ou equivalente, só é administrado via intravenosa, como é o caso de medicamentos para as dores.

Dito isto, pedir soro não vai ajudar em nada a não ser que efetivamente haja essa necessidade de reposição de líquidos nas situações acima mencionadas ou para administração de alguma medicação que necessite ser diluída em soro.

“Picar o dedo” para saber se tem diabetes não serve!

Quem não foi vendo várias campanhas que propunham medição da glicemia capilar (“açúcar do sangue”) que, com uma simples picada no dedo, indiciavam a presença ou não de diabetes.

Este conceito não está correto. Não existe como rastrear diabetes sem sem por análises clínicas e sob a orientação de um médico. Isto porque os valores obtidos pela “picada no dedo” podem não corresponder à realidade que se pretende. Estas medições servem essencialmente para doentes diabéticos sob insulina que, por risco de hipoglicemias (açúcar baixo) ou para eventuais ajustes das unidades da insulina, necessitam de uma intervenção urgente ou de uma ajuste de dose. Também são utilizadas nos serviços de saúde para avaliação clínica dos doentes que se justifiquem.

Assim, não se recomenda que o rasteio de diabetes seja realizado através destas campanhas. Adicionalmente, a medição da glicemia capilar (“picada”) serve essencialmente para quem está medicado com insulina, sendo a sua utilidade nos outros casos muito limitada fora dos serviços de saúde.

Alérgico à penicilina? O melhor é confirmar!

Achar erradamente que é alérgico à penicilina pode sair-lhe muito caro. Saiba porquê e o que fazer.

É muito frequente ouvir-se que se é alérgico à penicilina, no entanto são poucos os casos com esta alergia confirmada, estimando-se que haja muitos falsos alérgicos. A penicilina e os seus derivados, como por exemplo a amoxicilina, são os antibióticos de primeira escolha na maioria das infeções bacterianas. 

O médico, quando tenciona prescrever um antibiótico, tem em conta as alergias que o doente alega ter. Se a penicilina for um deles, será prescrito um antibiótico alternativo, o que pode dificultar o tratamento, sujeita a efeitos secundários desses medicamentos, aumenta a resistência aos antibióticos, motiva a internamentos desnecessários e aumenta os custos do doente e do Serviço Nacional de Saúde. 
Adicionalmente, nesta fase de vacinação contra a COVID-19 também se tem levantado esta questão.

Confira as principais questões e respostas relativas a este assunto.

Quantas pessoas são alérgicas? 

Estima-se que apenas 5% sejam comprovadamente alérgicos.

Quem é alérgico à penicilina, pode deixar de o ser?

Com o passar do tempo, pode ocorrer uma perda de sensibilização e consequentemente ver a alergia resolvida.

Como confirmar se é alérgico à penicilina?

Recorra a uma consulta de imunoalergologia. Pode solicitar ao seu médico de família uma referenciação a esta consulta do hospital da sua área de residência.

Porque é tão importante confirmar a alergia à penicilina?

Porque a penicilina e os seus derivados, como a amoxicilina, são os primeiros a serem escolhidos na maioria das infeções, sejam elas respiratórias, cutâneas ou dentárias.

Se não tiver a certeza que é alérgico à penicilina, o melhor é confirmar, uma vez que poderá beneficiar deste medicamento ou dos seus derivados. Recorra a uma consulta médica de imunoalergologia ou solicite uma referenciação pelo seu médico de família.

Testar aos anticorporpos COVID19? Não tem grande valor!

Eis as perguntas/afirmações mais frequentes colocadas pelos utentes

“Já tive COVID-19, ainda não fui vacinado, fiz o teste dos anticorpos e não tenho nenhuns. Estou preocupado por não ter defesas.”

Comentário: Os testes aos anticorpos não são todos iguais, portanto há uns que são melhores que outros. Para além disso, não ter detetado anticorpos não significa que não tenha defesas. Isto porque por um lado os anticorpos podem estar presentes e não terem sido detetados na amostra, para além disso e não menos importante, a defesa contra a COVID-19 não se resume aos anticorpos. Também temos a chamada “reposta celular”, através das células T que tem um papel muito importante na defesa contra a doença. Este tipo de defesa não é medida pelos anticorpos.

“Já tive COVID-19, ainda não fui vacinado e nem quero até porque já que fiz o teste aos anticorpos e tenho que “chegue””

Comentário: Ter anticorpos não significa que tenha estado em contacto com o vírus SARS-CoV-2. São os chamados falsos positivos. Isto porque os anticorpos detetados podem ter origem noutros coronavirus que não SARS-CoV-2. Em suma, ter detetado anticorpos não deve servir de motivo para não ser vacinado.

“Nunca tive COVID-19, mas decidir fazer o teste aos anticorpos para ter a certeza. O resultado foi positivo. Já terei tido COVID?”

R: a resposta está no comentário anterior. Para além disso, o teste aos anticorpos não ser de diagnóstico. O único teste que serve para diagnosticar COVID-19 é o teste com zaragatoa para deteção direta do vírus (na fase sintomática).

CONCLUSÃO

Não recomendo o teste aos anticorpos, isto porque os positivos não significam que tenham tido a doença e os negativos que não tenham tido a doença. O que diagnostica a COVID-19 é o teste através da zaragatoa (deteção direta do vírus SARS-CoV-2). Também não se recomenda que o teste aos anticorpos sirva de decisão para ser ou não vacinado.

https://www.dgs.pt/normas-orientacoes-e-informacoes/normas-e-circulares-normativas/norma-n-0022021-de-30012021-pdf.aspx

https://www.dgs.pt/normas-orientacoes-e-informacoes/normas-e-circulares-normativas/norma-n-0042020-de-23032020-atualizada-a-141020201.aspx

https://www.bmj.com/content/371/bmj.m4257

https://www.fda.gov/medical-devices/coronavirus-covid-19-and-medical-devices/antibody-serology-testing-covid-19-information-patients-and-consumers

Antecipação vacina AstraZeneca (Vaxzevria)

A DGS (Direção Geral de Saúde) passou a recomendar um intervalo de 8 semanas em vez de 12 entre as 2 doses da vacina.
Como tal, diz a TaskForce que: “os utentes que foram vacinados com a 1.ª dose da vacina da AstraZeneca devem tomar a 2.ª dose da seguinte forma:    

  • Os utentes que tomaram a 1.ª dose da vacina da AstraZeneca até 25 de abril devem tomar a 2.ª dose na semana de 28 de junho a 4 de julho.
  • Os utentes que tomaram a 1.ª dose da vacina da AstraZeneca de 26 de abril a 16 de maio devem tomar a 2.ª dose na semana de 5 a 11 de julho.  
  • Os utentes que tomaram a 1.ª dose da vacina da AstraZeneca de 17 a 23 de maio devem tomar a 2.ª dose a partir de 12 de julho

Deve consultar aqui o horário em que se pode deslocar de acordo com o Centro de Vacinação onde tomou a 1a dose.

Toma protetor de estômago diariamente? Saiba que podem ser prejudiciais!

É extremamente frequente encontrarmos pessoas que tomam diariamente os chamados “protetores de estômago”. A maioria das vezes tratam-se de inibidores da bomba de protões (ex: omeprazol, pantoprazol, etc) que nem sempre são benéficos.

Estes protetores de estômago começam a ser tomados por situações pontuais de “dores de estômago” a que chamam de “gastrites”, prescritos em consultas abertas ou serviços de urgência ou até mesmo comprados na farmácia sem receita médica. Por sua vez, o utente habitua-se à toma diária e assim que o suspende voltam as queixas. Importa que se saiba que só em determinadas circunstâncias é que devem ser tomados (ex: história de úlcera do estômago, esofagite grave, toma crónica de anti-inflamatórios, entre outros), dado também poderem ser prejudiciais.

Estes medicamentos podem aumentar o risco de fratura, falta de vitamina B12, infeções, alterações do trânsito intestinal (ex: diarreia), etc.

Caso seja um dos que toma diariamente estes fármacos, informe-se com o seu médico sobre se beneficia ou não de os tomar e, caso não haja motivo para tal, será aconselhado a suspendê-lo da forma correta.

Atenção ao (ab)uso dos anti-inflamatórios!

Os anti-inflamatórios (ex: ibuprofeno, diclofenac, naproxeno, etc) são frequentemente utilizados para controlar a dor, seja ela recente (aguda) ou de longa data (crónica). O uso prolongado destes medicamentos deve ser evitado, exceto algumas situações selecionadas pelo médico. São vários os efeitos secundários, alguns deles graves. Tomar estes medicamentos dia sim dia não é um começo para passar a toma-los diariamente. Se tal estiver a acontecer consigo, fale com o seu médico uma vez que poderá necessitar de um controlo da dor com outros medicamentos mais adequados.

Quando devem ser tomados?

Para a dor, preferir em primeiro lugar o paracetamol. Se não resultar e se não estiver contraindicado, poderá tomar um anti-inflamatório (ex: ibuprofeno ou naproxeno) em dose baixa e num curto espaço de tempo (2 a 4 semanas).

Se não melhorar, aconselhe-se junto do seu médico quanto ao melhor medicamento a tomar.

É sempre necessário associar um “protetor do estômago”?

Não. Aconselha-se o uso de protetores gástricos (ex: omeprazol) aos doentes com 65 ou mais anos, pessoas com história de úlcera do estômago ou duodeno ou história de queixas na toma de anti-inflamatórios e a quem toma aspirina (ácido acetilsalicílico), anticoagulantes (ex: varfarina, sintrom, etc) ou corticoides.

Principais efeitos secundários.

  • Dores no estômago e sintomas de refluxo (azia, ardor no peito, etc);
  • Úlceras no estômago e duodeno;
  • Hemorragia intestinal;
  • Problemas nos rins e fígado;
  • Aumento da pressão arterial.

Atenção a quem toma aspirina ou semelhantes (ácido acetilsalicílico)!

A aspirina também é um anti-inflamatório não esteroide, pelo que ao tomar um segundo estará a aumentar e potenciar os seus efeitos secundários! Aconselhe-se junto do seu médico sobre as medidas a tomar.