Alérgico à penicilina? O melhor é confirmar!

Achar erradamente que é alérgico à penicilina pode sair-lhe muito caro. Saiba porquê e o que fazer.

É muito frequente ouvir-se que se é alérgico à penicilina, no entanto são poucos os casos com esta alergia confirmada, estimando-se que haja muitos falsos alérgicos. A penicilina e os seus derivados, como por exemplo a amoxicilina, são os antibióticos de primeira escolha na maioria das infeções bacterianas. 

O médico, quando tenciona prescrever um antibiótico, tem em conta as alergias que o doente alega ter. Se a penicilina for um deles, será prescrito um antibiótico alternativo, o que pode dificultar o tratamento, sujeita a efeitos secundários desses medicamentos, aumenta a resistência aos antibióticos, motiva a internamentos desnecessários e aumenta os custos do doente e do Serviço Nacional de Saúde. 
Adicionalmente, nesta fase de vacinação contra a COVID-19 também se tem levantado esta questão.

Confira as principais questões e respostas relativas a este assunto.

Quantas pessoas são alérgicas? 

Estima-se que apenas 5% sejam comprovadamente alérgicos.

Quem é alérgico à penicilina, pode deixar de o ser?

Com o passar do tempo, pode ocorrer uma perda de sensibilização e consequentemente ver a alergia resolvida.

Como confirmar se é alérgico à penicilina?

Recorra a uma consulta de imunoalergologia. Pode solicitar ao seu médico de família uma referenciação a esta consulta do hospital da sua área de residência.

Porque é tão importante confirmar a alergia à penicilina?

Porque a penicilina e os seus derivados, como a amoxicilina, são os primeiros a serem escolhidos na maioria das infeções, sejam elas respiratórias, cutâneas ou dentárias.

Se não tiver a certeza que é alérgico à penicilina, o melhor é confirmar, uma vez que poderá beneficiar deste medicamento ou dos seus derivados. Recorra a uma consulta médica de imunoalergologia ou solicite uma referenciação pelo seu médico de família.

Atenção ao (ab)uso dos anti-inflamatórios!

Os anti-inflamatórios (ex: ibuprofeno, diclofenac, naproxeno, etc) são frequentemente utilizados para controlar a dor, seja ela recente (aguda) ou de longa data (crónica). O uso prolongado destes medicamentos deve ser evitado, exceto algumas situações selecionadas pelo médico. São vários os efeitos secundários, alguns deles graves. Tomar estes medicamentos dia sim dia não é um começo para passar a toma-los diariamente. Se tal estiver a acontecer consigo, fale com o seu médico uma vez que poderá necessitar de um controlo da dor com outros medicamentos mais adequados.

Quando devem ser tomados?

Para a dor, preferir em primeiro lugar o paracetamol. Se não resultar e se não estiver contraindicado, poderá tomar um anti-inflamatório (ex: ibuprofeno ou naproxeno) em dose baixa e num curto espaço de tempo (2 a 4 semanas).

Se não melhorar, aconselhe-se junto do seu médico quanto ao melhor medicamento a tomar.

É sempre necessário associar um “protetor do estômago”?

Não. Aconselha-se o uso de protetores gástricos (ex: omeprazol) aos doentes com 65 ou mais anos, pessoas com história de úlcera do estômago ou duodeno ou história de queixas na toma de anti-inflamatórios e a quem toma aspirina (ácido acetilsalicílico), anticoagulantes (ex: varfarina, sintrom, etc) ou corticoides.

Principais efeitos secundários.

  • Dores no estômago e sintomas de refluxo (azia, ardor no peito, etc);
  • Úlceras no estômago e duodeno;
  • Hemorragia intestinal;
  • Problemas nos rins e fígado;
  • Aumento da pressão arterial.

Atenção a quem toma aspirina ou semelhantes (ácido acetilsalicílico)!

A aspirina também é um anti-inflamatório não esteroide, pelo que ao tomar um segundo estará a aumentar e potenciar os seus efeitos secundários! Aconselhe-se junto do seu médico sobre as medidas a tomar.

“Doem-me as costas. Será pneumonia?”

O receio de que a dor nas costas ou “dor nos pulmões” seja uma pneumonia é bastante frequente. Já lhe passou isto pela cabeça? Veja a resposta.

O que é uma pneumonia?

Pneumonia é uma infeção dos pulmões, mais precisamente nos pequenos “sacos de ar” designados alvéolos e no tecido que o rodeia. Pode ser provocada por vírus, bactérias ou fungos. Existem as chamadas pneumonias adquiridas na comunidade e as adquiridas em locais de cuidados de saúde (ex: hospitais).

Porque é que a pneumonia dá dor? 

Os pulmões não doem já que não possuem inervação sensitiva. Na pneumonia, o local infetado pode afetar a pleura parietal (uma membrana abaixo das costelas que envolve a pleura visceral que por sua vez envolve o pulmão) que quando inflamada causa dor com os movimentos torácicos (respiração, tosse, soluço, pressão local…). 

Quando suspeitar de pneumonia e o que fazer?

A pneumonia pode apresentar-se de formas diferentes sendo que o sintoma mais frequente é a tosse com expetoração. Pode acompanhar-se de arrepios de frio, dores no peito, febre e falta de ar. Se apresentar estes sintomas deve recorrer a uma consulta médica a fim de confirmar ou excluir pneumonia. A radiografia torácica não é obrigatória sendo que depende de cada caso. 

Uma pneumonia põe a vida em risco?

Pneumonia não é sinónimo de gravidade. A doença pode ser mais perigosa em crianças, idosos e pessoas portadoras de doenças crónicas (diabetes, doença pulmonar obstrutiva crónica, cancro…). Em pessoas previamente saudáveis, a pneumonia trata-se em casa com antibiótico. Em pessoas debilitadas pode ser necessário internamento para tratamento e vigilância. O mais importante é detetar e tratar atempadamente.

Existe alguma vacina contra a pneumonia?

Em Portugal está disponível uma vacina que diminui o risco de contrair pneumonia. Designa-se Prevenar 13, é comparticipada e pode ser adquirida na farmácia. Faz-se apenas uma dose, não sendo necessário repetir. É a mesma vacina que se administra nas crianças conforme o plano nacional de vacinação. Também está disponível outra vacina – Pneumovax 23 – que pode complementar a anterior.

Pneumonia é uma infeção pulmonar, pode afetar qualquer pessoa sendo mais frequente em pessoas com outros problemas de saúde. Apenas dor nas costas não é igual a ter pneumonia já que na maioria das vezes a dor aparece acompanhada de outros sinais ou sintomas (tosse, expetoração, febre, falta de ar). 

Picado por um inseto? Não aplique uvas nem facas. Saiba o que fazer.

Quem não se lembra de pressionar uma uva com uma faca sobre uma picada de abelha? Esta é daquelas mezinhas que deve abandonar.

Nesta altura do ano são frequentes as picadas de inseto, sejam elas quais forem. Portugal é dos países com menos insetos perigosos pelo que é rara a complicação grave ou mesmo morte provocada por uma picada. Aplicar uma uva ou uma faca e colocar vinagre sobre uma picada é um remédio caseiro habitual das nossas avós. Não o deve fazer sob risco de infetar a zona picada.

As crianças, idosos, doentes imunodeprimidos e pessoas com alergias ou sensibilidade conhecida à picada do inseto têm maior probabilidade de complicações. Se frequentar zonas com muitos insetos, viajar para países quentes ou for suscetível a picadas use um repelente de insetos.

O que fazer se for picado por um inseto? 

  1. se viu o inseto identifique-o, se possível fotografe-o (poderá mostrar ao médico se surgir alguma complicação);
  2. se tiver um ferrão retire-o e lave a zona picada com água corrente e sabão neutro;
  3. aplique gelo com um pano limpo (nunca diretamente) por períodos de 10 minutos várias vezes durante ao dia;
  4. se tiver dor tome um analgésico (paracetamol ou ibuprofeno); 
  5. se tiver comichão tome um antihistamínico (cetirizina, bizantina, hidroxizina, etc.) ou aplique uma pomada de cortisona 2 vezes por dia durante uma semana (ex: hidrocortisona em creme 10mg/g). Evite coçar já que as unhas são uma fonte de contaminação que podem infetar a zona da picada;
  6. Aguarde alguns dias até melhorar por completo.

Quando recorrer ao serviço de urgência após uma picada?

  • Se surgir falta de ar, dificuldade em engolir ou a sua cara começar a inchar;
  • Se começar a sentir fraqueza, náuseas e vómitos, taquicardia (mais de 100 batimentos cardíacos por minuto) ou ficar desorientado.

Devo procurar tomar um antibiótico assim que for picado?

O antibiótico é na maioria das vezes desnecessário, principalmente se adotar as medidas acima referidas. Recorra ao médico se passados alguns dias a zona da picada em vez de melhorar ficar mais vermelha, quente, inchada e com pus ou se surgir febre ou sensação de mal-estar e cansaço. Pode ligar ao CIAV (Centro de Informação Antivenenos) – 808 250 143 – para aconselhamento sobre a atitude a tomar.

Como posso evitar as picadas?

Use roupa clara e mais larga. Evite andar descalço. Use repelente de insetos (à venda nas farmácias e parafarmácias). Se frequentar o campo e zonas com muita vegetação use calçado alto, calças e eventualmente luvas se tiver se usar as mãos. Se pensa viajar para um país tropical lembre-se que é maior a probabilidade de ser picado por isso adote estas medidas.

As picadas de inseto são frequentes mas raramente perigosas em Portugal. Se for picado aconselha-se identificar o inseto (se possível), tirar o ferrão, passar a zona picada por água corrente, aplicar gelo, controlar a dor e evitar coçar. Recorra a um serviço de urgência se sentir falta de ar, dificuldade em engolir, a sua cara começar a inchar ou caso se sinta mal depois da picada. Se passado alguns dias estiver a piorar recorra a uma consulta médica. O antibiótico é muitas vezes desnecessário. Proteger a pele com roupa e repelente são medidas para evitar picadas.