Neste artigo, explicamos como a nutrição pode ajudar quem vive com DPOC a sentir-se com mais energia, respirar melhor e ter uma melhor qualidade de vida. Com dicas práticas, alimentos recomendados e sugestões simples para aplicar no dia a dia.
Porque é que a alimentação importa tanto na DPOC?
Quem tem DPOC precisa de mais energia para realizar o simples ato de respirar. Os músculos respiratórios trabalham mais e, por isso, o corpo gasta mais calorias. Além disso, certos alimentos podem ajudar, ou dificultar, a função pulmonar.
Uma alimentação adequada pode reduzir o esforço respiratório, fortalecer o sistema imunitário, ajudar a manter o peso ideal e a prevenir infeções e hospitalizações.
O que deve mudar no prato de quem tem DPOC?
A boa notícia é que não precisa de fazer uma “dieta” rígida. Basta ajustar pequenas coisas na sua rotina alimentar para ter grandes resultados. Veja o que pode começar a fazer já:
1. Prefira refeições pequenas e frequentes
Comer muito de uma vez pode pressionar o diafragma e dificultar a respiração. O ideal é fazer 5 a 6 pequenas refeições ao longo do dia.
Dica: Evite deitar-se logo após comer e mantenha uma postura direita durante a refeição.
2. Inclua boas fontes de proteína
As proteínas são importantes para manter a massa muscular – inclusive os músculos respiratórios. Pessoas com DPOC têm maior risco de perda muscular, o que pode piorar os sintomas.
Boas fontes: ovos, peixe, carne magra, iogurtes, leguminosas (grão, feijão, lentilhas).
3. Reduza os açúcares e aumente as gorduras boas
Quando comemos muitos hidratos de carbono simples (como açúcar e pão branco), o corpo produz mais dióxido de carbono – o que pode dificultar a respiração. Já as gorduras saudáveis fornecem energia com menor produção de dióxido de carbono.
Sugestões: abacate, azeite virgem extra, frutos secos e sementes, peixe gordo (como sardinha e salmão).
4. Menos sal, menos retenção
O excesso de sódio contribui para retenção de líquidos e inchaços, o que também pode afetar a função pulmonar.
Evite: comidas prontas, molhos de pacote, enchidos, bolachas salgadas.
Prefira: temperos naturais como ervas aromáticas, limão, alho e azeite.
5. Hidrate-se bem
Beber água ao longo do dia ajuda a fluidificar o muco, tornando a expetoração mais fácil.
Regra prática: entre 1,5L a 2L de água por dia (salvo indicação médica em contrário).
Suplementação: É necessária?
Em alguns casos, pode ser recomendada a suplementação de vitamina D, cálcio, magnésio ou antioxidantes, especialmente em pessoas com défice nutricional comprovado. Deve sempre ser prescrita por um médico ou nutricionista, com base em análises clínicas.
E os alimentos antioxidantes?
Frutas, legumes e vegetais ricos em vitaminas A, C e E são aliados naturais contra a inflamação pulmonar. Estes alimentos ajudam o corpo a lidar melhor com o stress oxidativo que está muito presente na DPOC.
Inclua mais: Frutos vermelhos, Citrinos (laranja, tangerina), Brócolos, espinafres, cenoura, tomate, pimentos, couve.
Alimentos a evitar (ou a moderar)
Nem todos os alimentos são bem tolerados por quem tem DPOC. Eis alguns que convém evitar ou reduzir:
- Refrigerantes e bebidas com gás
- Fritos e alimentos muito gordurosos
- Doces e produtos com muito açúcar
- Alimentos que provocam flatulência (feijão, couve-flor) – principalmente antes de dormir
Dicas para o dia a dia
- Comer com calma e mastigar bem os alimentos
- Evitar falar durante as refeições (pode aumentar o risco de engasgamento)
- Sentar-se direito para facilitar a digestão e a respiração
- Planear as refeições com antecedência para evitar esforço desnecessário
A alimentação tem um impacto direto na qualidade de vida dos doentes com DPOC. Uma dieta ajustada às necessidades pulmonares contribui para melhor oxigenação, menos fadiga, melhor controlo de sintomas e menor risco de hospitalização.
Fale com o seu médico ou nutricionista para personalizar a sua alimentação. Respirar melhor começa também no prato.
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