Se sofre de dores de cabeça recorrentes e incapacitantes, é importante perceber que tipo de enxaqueca tem para procurar o tratamento mais adequado.
O que é uma enxaqueca?
A enxaqueca é uma dor de cabeça intensa e pulsátil, que pode durar de 4 horas até 3 dias, muitas vezes acompanhada de náuseas, vómitos, sensibilidade à luz (fotofobia) e ao som (fonofobia).
É uma doença neurológica crónica que afeta mais de 1 milhão de portugueses, sendo mais comum em mulheres e em pessoas com histórico familiar.
Principais Tipos
Enxaqueca com aura
Caracteriza-se pela presença de sintomas neurológicos temporários que precedem (ou acompanham) a dor de cabeça.
Sintomas da aura:
- Alterações visuais, tais como pontos brilhantes, linhas em ziguezague, perda de visão parcial;
- Formigueiros ou dormência (geralmente num lado do corpo);
- Dificuldade em falar ou encontrar palavras.
A aura dura entre 5 e 60 minutos e é reversível. A dor geralmente surge logo a seguir.
Enxaqueca sem aura (a mais comum)
Não apresenta sintomas neurológicos prévios, mas a dor surge de forma progressiva, geralmente em apenas um lado da cabeça. Pode durar entre 4 e 72 horas.
É a forma mais frequente e, apesar de não ter aura, os sintomas associados podem ser muito incapacitantes.
Enxaqueca crónica
Ocorre quando a pessoa tem mais de 15 dias de dor de cabeça por mês, durante pelo menos três meses consecutivos – dos quais pelo menos 8 dias têm características.
É muitas vezes resultado da progressão de uma enxaqueca episódica mal controlada. Está associada ao uso excessivo de medicamentos, stress persistente, distúrbios do sono ou outras doenças associadas.
Enxaqueca hemiplégica
Tipo raro e mais grave, pode provocar sintomas motores como fraqueza temporária num dos lados do corpo (semelhante a um AVC). Pode ser familiar (genética) ou esporádica.
É essencial acompanhamento médico especializado, pois pode levantar suspeitas de outras doenças neurológicas.
Enxaqueca abdominal (mais comum em crianças)
Em vez da dor de cabeça clássica, as crianças sentem episódios de dor abdominal recorrente, náuseas e palidez. Com o tempo, muitas destas crianças desenvolvem enxaqueca típica na idade adulta.
Enxaqueca menstrual
Afeta mulheres em idade fértil, relacionada com a variação hormonal antes ou durante a menstruação. Costuma ser mais intensa, prolongada e resistente ao tratamento. Pode ser tratada com estratégias preventivas específicas, como suplementos ou ajustes hormonais.
Outros tipos menos comuns
- Enxaqueca retiniana: perda visual temporária num olho só
- Enxaqueca vestibular: tonturas intensas associadas a desequilíbrio
- Status migrainosus: crise de enxaqueca que dura mais de 72 horas e pode necessitar de tratamento hospitalar
Quando procurar ajuda médica?
Deve procurar um neurologista ou médico de família se:
- Tem dores de cabeça intensas e frequentes
- A dor impede as suas atividades diárias
- Os analgésicos deixam de fazer efeito
- Os sintomas mudaram recentemente
- Tem sintomas neurológicos (fraqueza, fala confusa, alterações visuais persistentes)
Que diagnóstico e tratamentos podem ser feitos?
O diagnóstico é clínico, com base nos sintomas e histórico. Em alguns casos, o médico pode pedir exames para excluir outras causas, mas na maioria das vezes não são necessários exames.
O tratamento inclui:
- Medicamentos para alívio da dor (paracetamol, AINEs, triptanos)
- Prevenção medicamentosa (beta-bloqueadores, antiepilépticos, antidepressivos e mais recentemente os gepants)
- Suplementos e mudanças de estilo de vida
- Evitar os gatilhos (stress, sono irregular, certos alimentos)
Saber que tipo de enxaqueca tem é o primeiro passo para controlar melhor as crises e melhorar a sua qualidade de vida. Cada uma tem características e tratamentos específicos e, com acompanhamento adequado, é possível viver com menos dor.
Se suspeita deste problema, não se automedique continuamente. Fale com o seu médico e descubra a melhor abordagem para o seu caso.