Hoje, dia 19 de maio, é o dia Mundial do Médico de Família.
Não escrevo isto para receber parabéns. Escrevo porque é raro parar e refletir sobre o que significa esta especialidade… e hoje há uma desculpa para o fazer.
Ser médico de família é, antes de tudo, ser médico do tempo. Tempo que acompanha uma criança que vi nascer até à sua primeira gravidez. Tempo que vê um homem aos 40 a queixar-se de cansaço e percebe, dois anos depois, que era o início de algo mais.Tempo que ouve a mesma queixa cinco vezes antes de a pessoa conseguir dizer o que realmente a traz à consulta.
A Medicina Geral e Familiar não se mede em diagnósticos espectaculares. Mede-se na continuidade. Na confiança que se constrói… consulta após consulta. Em saber que aquela pessoa à minha frente não é um caso clínico isolado, é uma história que estou a acompanhar há anos, ou que vou começar a acompanhar agora.
É também a especialidade onde o tempo é o nosso recurso mais escasso (e valioso!). Quinze ou 20 minutos para ouvir, examinar, decidir, explicar, tranquilizar… Quinze minutos para uma vida inteira na verdade!
É exatamente essa fricção entre o que queremos explicar e o tempo que temos que me motiva a continuar a escrever aqui, fora da consulta – porque há sempre alguma coisa que fica por dizer.
A todas os médicas e médicos de família que hoje estão de bata vestida (ou não): este dia é nosso! Mas o trabalho que dele fazemos é sempre dos nossos doentes.