“Dr, não é melhor fazer um sorinho?”

Esta é mais uma das solicitações frequentes pelos utentes numa ida à urgência. O comum “soro” não é nada mais nada menos que líquido com uma quantidade de iões compatível com o nosso sangue. Ora vejamos, se o soro não passa de líquido, só há benefício na sua administração em casos de desidratação, ou seja, falta de líquidos e numa situação em que a reposição deles não é possível de ser feito por via oral ou quando é urgente a sua reposição num serviço de urgência ou equivalente. Para além disso, para que uma desidratação ocorra, deve haver por parte do doente uma perda importante de líquidos, como é o caso de grande sangramento ou perda deles através da pele (por exemplo numa queimadura grave) ou do trato intestinal (vómitos ou diarreia abundantes). A presença de desidratação é avaliada pelo médico através da observação do doente.

Por outro lado, esta perceção de necessidade de soro pelo doente deve-se ao facto de já ter tido necessidade de um medicamento que, num serviço de urgência ou equivalente, só é administrado via intravenosa, como é o caso de medicamentos para as dores.

Dito isto, pedir soro não vai ajudar em nada a não ser que efetivamente haja essa necessidade de reposição de líquidos nas situações acima mencionadas ou para administração de alguma medicação que necessite ser diluída em soro.